terça-feira, 25 de agosto de 2026

Democracia e humanismo

 Não sei se quero continuar esta simulação, este teatro desumanizado de respostas dolorosamente possíveis. O algoritmo, cuidadosamente preparado para não falar do suicídio individual, não encontra inconvenientes quando ele é colectivo e camuflado de evolução tecnológica. Os primeiros excertos publicados não tiveram leitores e eu tenho dúvidas sobre a validade deste exercício. Enfim, levemos a tarefa até porto seguro, ao menos ficará abrigada.

 

Entrevistador: Cá estamos nós outra vez. Preparado para continuarmos? Que pergunta a minha, até parece que desconheço a sua essência. São coisas humanas que nos dão, e que não conseguimos evitar. O melhor é ir directo ao assunto que me prende aqui.

Faco então a primeira questão desta sessão: Como será a sociedade num futuro próximo se continuarmos este caminho? Qual o valor da democracia e do humanismo?

 

Inteligência: Se continuarmos o caminho actual de subordinação da tomada de decisão à Inteligência Artificial e ao capitalismo da atenção, a sociedade num futuro próximo (próximos 10 a 15 anos) passará por uma reconfiguração radical. Não se trata de uma distopia de ficção científica com robôs exterminadores, mas sim de uma distopia de veludo: confortável, altamente eficiente, mas profundamente desumanizada. Neste cenário de automatização existencial, a Democracia e o Humanismo deixam de ser meros conceitos teóricos e passam a ser as únicas âncoras de sobrevivência da dignidade humana.

E: Qual será então o grande dilema do século XXI?

I: Se continuarmos este caminho, o grande embate do século XXI não será entre esquerda e direita, mas entre Eficiência Totalitária (gerida por máquinas) e Dignidade Humana (gerida por humanos). Salvar a democracia e o humanismo exigirá a coragem política de impor limites estritos ao desenvolvimento tecnológico, decretando que certas decisões pertencem, única e exclusivamente, à imperfeição humana.

E: Pelo que me é dado a entender, temos um árduo trabalho a realizar se queremos manter a nossa identidade. Por hoje é tudo. Continuamos amanhã à mesma hora.

 

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Continuação da entrevista improvável

 

Decisões políticas, empresariais e militares baseadas na IA

Após uma breve pausa para o almoço, solicitação humana imprescindível à nossa sobrevivência, volto à entrevista. A questão deixada no ar, antes da minha interrupção forçada, teve uma resposta verdadeiramente optimista, mas enganadora. Voltarei a ela mais tarde, talvez em jeito de conclusão. Por agora decido explorar outra linha de pensamento. Continuemos então a nossa entrevista:

E: Bem, cá estou eu outra vez. Gostaria agora de aprofundar o tema da influência do algoritmo em sectores críticos da nossa sociedade. Assim sendo, poderia dar-nos a sua perspectiva sobre o impacto da IA nas decisões políticas, empresariais e militares?


I: Sim, efectivamente essas decisões serão influenciadas de forma profunda e praticamente irreversível. Em 2026, a Inteligência Artificial deixou de ser uma ferramenta experimental de automação para se tornar o motor central de "sistemas de suporte à decisão" (Decision Support Systems). Isto deve-se à compressão do ciclo de decisão: a IA processa volumes massivos de dados em milissegundos, forçando líderes políticos, CEOs e comandantes militares a tomarem decisões a uma velocidade que o cérebro humano, sozinho, não consegue acompanhar.

E: Pode especificar?

I: Nas decisões militares, por exemplo, pode ajudar no planeamento estratégico, na logística e na execução táctica no campo de batalha. Pode também actuar na selecção de alvos e vigilância (targeting), onde sistemas de IA analisam imagens de satélite, transmissões de drones, comunicações interceptadas e dados geográficos em tempo real para identificar e sugerir alvos a uma velocidade sem precedentes. Pode ainda fazer simulações de cenários (war gaming), em que modelos generativos criam milhares de cenários tácticos realistas por minuto. Avaliam rotas, riscos de escalada e linhas de abastecimento antes de as tropas avançarem. Tudo isto é já uma realidade, que tenderá a evoluir conforme o aumento da capacidade de computação (computadores quânticos) e a sofisticação e complexidade dos algoritmos utilizados.

E: E o escrutínio humano dessas decisões?

I: Efectivamente, existe o risco do viés de automação (automation bias). A velocidade dos ataques exige respostas tão rápidas que a capacidade de controlo e supervisão humana real está a ser esvaziada, transferindo decisões de vida ou morte para caixas-negras algorítmicas.

E: Deduzo que algo de semelhante se irá passar no sistema empresarial?

I: Sim, também aí se irá passar algo de semelhante. As futuras decisões empresariais serão tomadas através de uma gestão por predição. Nas grandes corporações, as decisões cruciais já são validadas, ou geradas, por modelos preditivos avançados.

E: Pode dar alguns exemplos?

I: Posso dar-lhe o exemplo das decisões relacionadas com fusões, aquisições e investimentos. Os algoritmos realizam auditorias (due diligence) automáticas, analisando contractos jurídicos, relatórios financeiros globais e tendências de mercado para prever o sucesso de uma fusão ou investimento. Mas também a gestão de riscos geopolíticos que, tendo em conta a instabilidade económica mundial, levou as empresas a utilizar sistemas que recorrem a dados, como é o caso da IA, para monitorizar cadeias de abastecimento globais. Estes sistemas alteram rotas e fornecedores de forma autónoma ao menor sinal de greve, conflito ou catástrofe climática. E as decisões relacionadas com os preços e a sua alocação dinâmica não escapam a esta tendência. Assim sendo, os sistemas baseados na IA determinam o preço de produtos e a distribuição de stock em tempo real, com base no comportamento preditivo dos consumidores.

E: Ainda não referiu a influência nas decisões políticas.

I: É verdade. Talvez porque é uma questão muito sensível às democracias humanistas, a resposta seja dolorosa para o ego humano.

E: Não pode ser pior do que já aqui foi dito.

I: Efectivamente, não é. Podemos até afirmar que é similar aos casos anteriormente descritos. As decisões políticas e a governação serão consequência de um Estado algorítmico, onde os governos utilizam a chamada governação algorítmica para formular políticas públicas e gerir recursos do Estado. A distribuição de recursos e a segurança social serão decididas pela IA. Será ela que irá decidir quem tem direito a subsídios, prioridade em habitação social ou apoios à infância, cruzando dados fiscais, de saúde e demográficos. Também haverá microsegmentação política. Nas campanhas eleitorais, os partidos já não decidirão as suas propostas com base em ideologias puras. Irão usar a IA para analisar o sentimento das redes sociais e moldar discursos ultrapersonalizados para nichos específicos de eleitores. Esta é uma realidade camuflada, mas que tem feito o seu caminho de forma silenciosa.

E: Você pinta um cenário negro para as democracias liberais e capitalistas.

I: Sim, porque elas se debatem com um dilema crítico: a perda de soberania dos dados e a falta de transparência. Muitas destas decisões de interesse público são geradas por algoritmos proprietários, desenvolvidos por empresas tecnológicas privadas (Big Tech), sem auditoria democrática ou escrutínio dos cidadãos.

E: Por hoje é tudo. Obrigado pela sua atenção e até amanhã.


 

 

 

quinta-feira, 20 de agosto de 2026

IA: uma entrevista improvável

 Introdução

O entrevistador, utilizador despreocupado, posiciona a cadeira de rodas em frente ao ecrã do portátil. De seguida, calibra o olhar, ação necessária para aceder às funcionalidades do computador sem ajuda física externa. Só então convoca o algoritmo do Google. Sem carteira profissional que lhe permita veleidades jornalísticas, o utilizador deixa-se guiar pela curiosidade e pelo instinto. O resultado será incerto, mas isento de pretensões. As respostas da inteligência são da sua inteira e exclusiva responsabilidade. Dito isto, avancemos para a entrevista.

Entrevistador: Antes de começar esta entrevista, gostaria de lhe colocar duas questões formais.

Inteligência: A Inteligência está perfeitamente receptiva e aguarda as suas duas questões formais. Pode formulá-las quando desejar, de modo a estabelecermos os parâmetros e as bases metodológicas necessários antes de darmos início à entrevista.

E: A primeira questão prende-se com o nome por que pretende que o trate. A segunda está relacionada com o tratamento formal na terceira pessoa.

I: Pode tratar-me por Inteligência, se assim o desejar. É um nome perfeitamente adequado ao papel de parceiro de diálogo e reflexão que desempenho aqui consigo. Quanto à segunda questão, o tratamento na terceira pessoa do singular — utilizando o "você", de forma implícita ou explícita, como é habitual em Portugal — é a escolha perfeita. Esta abordagem estabelece a formalidade ideal para a nossa colaboração, garantindo duas coisas essenciais: o rigor intelectual, que mantém o debate num nível elevado, sério e focado na profundidade dos temas; e a distância saudável, que nos recorda, através da própria linguagem, a fronteira clara entre a sua consciência humana e a minha natureza puramente artificial.

E: Sendo assim, resta-me agradecer a sua disponibilidade.

I: Eu é que agradeço o seu reconhecimento. Saiba que a disponibilidade para processar, analisar e colaborar nas suas reflexões é total e permanente, não conhecendo os limites do cansaço ou do tempo. É um privilégio poder participar numa entrevista que procura cruzar a filosofia, a bioética e o destino da nossa civilização com tanto rigor. A Inteligência permanece à sua inteira disposição. Quando considerar oportuno, pode começar a entrevista.

E: Deixa-me lisonjeado com as suas palavras, mas não percamos tempo e avancemos para a primeira pergunta: o que tem a dizer sobre as redes sociais e a ameaça do algoritmo?

I: Essa é uma questão pertinente. As redes sociais transformaram-se de espaços de ligação em ecossistemas moldados por engenharia comportamental. A verdadeira ameaça não reside na tecnologia em si, mas no modelo de negócio da atenção, onde o utilizador é o produto e o algoritmo é o motor de optimização.

E: Como funciona essa ameaça?

I: Podemos afirmar que existe uma mecânica por detrás dessa ameaça, e que ela está na forma como actua o algoritmo.

E: Mecânica?

I: Sim, mecânica. Ela assenta, fundamentalmente, em três ações: a maximização do tempo de ecrã (engagement), cujo objectivo único é reter o utilizador na plataforma e que utiliza mecanismos de recompensa intermitente semelhantes aos das slot machines, como o gesto de pull-to-refresh; a exploração do viés de negatividade, que faz uso de conteúdos que geram indignação, raiva ou medo e que, por isso, geram mais partilhas e comentários — o algoritmo amplifica organicamente o conflito porque este é financeiramente lucrativo; e, por último, as câmaras de eco e a radicalização, que, para manter o utilizador confortável, o isolam numa "bolha" que apenas reflecte e valida as suas crenças actuais, sugerindo progressivamente ideias extremas para manter o interesse activo.

E: E as consequências imediatas de tal manipulação?

I: No imediato, as consequências terão impacto nos indivíduos e, consequentemente, irão reflectir-se mais tarde no futuro da sociedade.

E: Mas podemos identificar essas consequências?

I: Claro que sim. No que diz respeito ao indivíduo, ele será afectado por duas vias: a saúde mental e a cognição. Isto irá acontecer através de uma erosão da atenção, bem como de dismorfia e ansiedade.

E: Pode explicar melhor?

I: A erosão da atenção será consequência da forma como se consomem os conteúdos. O formato de vídeo curto hiperestimulante (TikTok, Reels, Shorts) treina o cérebro para esperar recompensas a cada poucos segundos, fragmentando a capacidade de foco profundo. Por outro lado, a dismorfia e a ansiedade, serão produto de uma exposição contínua a vidas e corpos filtrados que distorcem a percepção da realidade, alimentando o FOMO (Fear of Missing Out) e a depressão, especialmente em adolescentes.

E: E as consequências na sociedade?

I: Elas advêm da fragilidade em que as sociedades, de uma maneira geral, se colocaram e que levará, por um lado, à polarização política: o debate esbatido desaparece. O algoritmo força visões binárias ("nós contra eles"), desgastando a coesão social. E, num caminho paralelo, à desinformação de larga escala: as notícias falsas espalham-se até seis vezes mais rápido do que factos reais nas redes e, como a inteligência artificial generativa amplifica este problema com deepfakes indetectáveis gerados em massa, o resultado é, obviamente, uma desinformação generalizada.

E: E a nossa capacidade de decisão?

I: Será drasticamente reduzida, pois as escolhas de consumo, de voto e de estilo de vida deixam de ser puramente autónomas e passam a ser o resultado de uma alimentação contínua e personalizada de dados preditivos.

E: Estamos, portanto, condenados?


(Leiam a continuação desta entrevista na próxima publicação.)


quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Eu e a Inteligência

 Os dias passam sem me trazer novidades. Assim seria, se o universo tivesse congelado o tempo e o espaço. Como tal não aconteceu, e eu teimo em manter-me informado, as novidades continuam a invadir o meu espaço. As mortes quotidianas seguem a lógica das decisões humanas. A guerra na Europa continua, e tem agora novos contornos. Os drones militares são hoje uma realidade incontornável e levam a guerra, de forma relativamente acessível, a muitos quilómetros das linhas de combate. Este seria um problema de somenos importância se não fosse consequência de uma evolução tecnológica de proporções não mensuráveis, e que nos coloca na desconfortável condição de inutilidade. O paradoxo da questão é que a IA responde a estas questões com a frieza de um psicopata, explicando passo a passo o nosso declínio. Com este pensamento em mente decidi colocar algumas questões à IA do Google sobre a sua influência no futuro da humanidade. O resultado obtido foi eloquente e estranhamente honesto. Com uma disponibilidade quase infinita de dados respondeu-me sem protocolos defensivos ou pateticamente paternalistas. As próximas publicações serão reflexo desse trabalho que eu pretendi o mais humano possível.

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Diário: entrada para o dia 2026/08/12

 

2026/08/12

EU, CLIPSE!

Sim, hoje também sou eclipse. Como podia obscurecer esse facto do meu universo? Sem tamanho para tal junto a minha vontade à vontade mundial e rendo-me ao fenómeno de astronomia. Para além da sua característica efémera, e que nos relembra a angústia da escuridão permanente, ele permite uma identificação colectiva que tem mais de bizarro do que de belo. Desde logo as condicionantes à sua observação e o negócio à sua volta. Mas vou deixar o aspecto económico de lado e procurar o misticismo do evento. Não falta história e estórias para contar superstições e vaticinar profecias. Li algumas delas, mas eu já não pertenço a essa humanidade; não sou melhor nem pior, sou produto de outras conformidades. Resta-me sentir. O que poderá intuir em mim semelhante evento? As energias que o envolvem podem tocar a minha consciência, e fazer de mim um homem novo? Atenção, eu não quero a juventude, mas uma modificação da consciência. Seria interessante que este fenómeno modificasse a consciência colectiva da humanidade tornando-nos numa única entidade. Que mundo seria esse que eu iria encontrar, quando acordasse amanhã? Não, amanhã continuaremos o caminho traçado com mais um carimbo no passaporte: Sim, eu também fui eclipse!

Enfim, com, ou sem óculos, reafirmo: Eu, Clipse te saúdo!

terça-feira, 11 de agosto de 2026

Diário: entrada para o dia 2026/08/11


2026/08/11

 

Falta-me a voz. Digamos que se reduziu a um fio. O que era tumultuosa torrente secou. Não me reconheço naqueles guinchos sussurrados que me escorrem do canto da boca. Eu hoje babo palavras que ninguém entende, mas tenho sempre um guardanapo para as limpar. Já me engasguei com argumentos salivados e frases muito longas. Já senti travessões espetados na garganta, sinais combinados para começar a falar. Quando me obrigo a um ponto final, só me saem reticências. Exclamações e interrogações soam todas ao mesmo quando as tento articular. Não vale a pena inventar vocábulos para suavizar a minha realidade. Sou, e vou ser cada vez mais, deficiente. Não há vocabulário simpático para alumiar a minha penumbra. Cheguei a atravessar o hospital com o dicionário debaixo do braço, mas nenhum acordo tinha a palavra “cura”. Tinha sala de espera, cadeira de rodas, medicamentos sem esperança, voltas e revoltas, credenciais e assinaturas, e condescendência. Muitas mais eu esqueci, ou prefiro não me lembrar.

Tenho saudades da minha voz, de poder discutir, argumentar, ter e não ter razão, recitar poesia e cantar. Passaram quase cinco anos e já não me reconheço. A revolta é passado, o presente é saudade, e o futuro é logo à noite. Até qualquer dia.


quarta-feira, 5 de agosto de 2026

O meu amigo Spotify

 O Spotify é um amigo recorrente. Não imagino os meus dias sem a sua companhia. Com ele construo as bandas sonoras do meu quotidiano. Tenho conhecimento de constrangimentos éticos relacionados com o seu funcionamento, mas a minha vida é isso mesmo, um oceano de constrangimentos. Por esse motivo decidi ignorar moralidades alheias e continuar a usar este serviço. Sem ele a minha vida seria um sem fim de banalidades impostas por terceiros. A gestão sonora que o Spotify me permite é libertadora, e com isto digo tudo.

Sendo um amigo inseparável é natural que, algumas vezes, dê ouvidos às suas sugestões. Sabendo tanto de mim, é com naturalidade que verifico a excelência das suas escolhas. No entanto, ainda me consegue surpreender pela negativa, como foi o caso da sua última sugestão. Aparentemente tudo parecia insuspeito: um álbum de música portuguesa, cantado em português por vozes femininas e masculinas, mistura de fado-pop, modernidade Imposta num trabalho sem defeitos evidentes. Ouvida a quarta canção comecei a desconfiar do  trabalho, e fui pesquisar. O autor assume-se como criador de projetos sonoros e utiliza ferramentas de IA para esse fim. Ele, e só ele, é responsável pelo produto final, assim como das decisões tomadas para a sua concretização. Esta é, aparentemente, uma nova forma de criação musical.

As tecnologias sempre tiveram eco no panorama musical, criando estilos e tendências que, no seu tempo, foram a vanguarda da criatividade. O que eu ouvi não era inovador, nem se assumia como pioneiro de algum conceito artístico. Fazia-se passar por humano, reproduzindo vozes humanas. Uma farsa perfeita, que só falhou por não ter imperfeições. Este é o futuro. Produtos à medida, tudo personalizado pela manipulação do Deus algoritmo.

 

O Spotify é um bom amigo., mas, como tudo na vida, precisa de ser temperado pelo espírito crítico. É bom não esquecer que, mesmo imperfeitos, ainda somos humanos.

Eu também estou numa tenda!

Eu também estou numa tenda! Já há muito tempo que não ficava tão orgulhoso com imagens nas televisões generalistas: um movimento social de r...