quarta-feira, 23 de setembro de 2026

8 biliões de descartáveis?

 

Se a inutilidade do ser humano pode parecer demagogia, vejamos a  nova corrente filosófica e o pragmatismo do que defende.  

 

Entrevistador: O trans humanismo e o desaparecimento gradual de 8 biliões de seres descartáveis. É possível?

Inteligência: Sim. O trans humanismo aborda o desaparecimento gradual de 8 mil milhões (biliões) de seres humanos biológicos não como um genocídio físico, mas como uma obsolescência programada da condição humana. Na perspectiva dos defensores mais radicais desta corrente filosófica, a transição do Homo sapiens para o Post-human (Pós-humano) é vista como um passo inevitável — e desejável — da evolução universal.

Entrevistador: Como resolve esta corrente “filosófica” os problemas socioeconómicos?

Inteligência: Quando este idealismo tecnológico colide com a realidade socioeconómica, o trans humanismo revela o seu lado mais perigoso: a transformação da esmagadora maioria da população global numa massa de seres descartáveis.

Entrevistador: Como é que isso aconteceria?

Inteligência: Através da Lógica Trans humanista da Descartabilidade

Para compreender como o movimento justifica este descarte, é necessário analisar os seus três axiomas fundamentais:

A Fragilidade Biológica como Erro de Programação: O trans humanismo vê o corpo humano actual como um suporte obsoleto, limitado pela doença, pelo envelhecimento e pela morte. Superar estas barreiras através da fusão com a IA, da nanotecnologia e da edição genética é visto como um imperativo moral.

A Métrica do "Pós-Humano": O valor de uma entidade passa a ser medido pela sua capacidade de processamento de informação e pela sua resiliência adaptativa. Perante uma mente digitalizada ou um ciborgue Hiper inteligente, o ser humano biológico comum passa a ter o mesmo estatuto cognitivo que um primata tem hoje face ao Sapiens.

A Inutilidade Económica dos 8 Mil Milhões: No modelo económico actual, os seres humanos são necessários como produtores e consumidores. Quando a IA e a robótica assumirem a totalidade da produção material e intelectual, a maioria da população perde a sua utilidade para o sistema tecno-capitalista. Tornam-se, na linguagem fria da eficiência, "excedentes sistémicos".

Entrevistador: E o descarte humano?

Inteligência: Aconteceria através de Mecanismos de Desaparecimento Gradual.

O desaparecimento de 8 mil milhões de pessoas não ocorreria através de um cataclismo súbito, mas sim por uma atrição existencial silenciosa, dividida em duas frentes:

A Bifurcação da espécie (Segregação Biológica)

O acesso às tecnologias de prolongamento radical da vida, implantes neuronais e aprimoramento genético será regulado pelo mercado e pelo poder político.

Criar-se-á uma divisão intransponível: uma minoria de pós-humanos ricos, virtualmente imortais e com capacidades cognitivas divinas; e os 8 mil milhões de humanos biológicos, confinados aos limites da biologia antiga.

Os biológicos serão empurrados para "reservas cognitivas" ou periferias globais, perdendo qualquer relevância nas decisões que moldam o planeta.

E, A Implosão Demográfica Induzida

Sem emprego, sem relevância económica e dependentes de subsídios estatais mínimos (um Rendimento Básico Incondicional de subsistência), a capacidade de reprodução e a vontade existencial dos humanos biológicos sofreriam uma quebra drástica.

A natalidade nas populações não modificadas colapsaria de forma natural. Ao longo de dois ou três séculos, os 8 mil milhões reduzir-se-iam gradualmente através de um Inverno demográfico, até restarem apenas comunidades residuais ou museológicas. A espécie original extinguir-se-ia não por massacre, mas por desinteresse evolutivo e asfixia de recursos.

Entrevistador: Entre o Humanismo e o Trans humanismo?

Inteligência: Será esse o Confronto Final: O Humanismo contra o Pós-Humano

Neste cenário vai expor-se a fractura ideológica definitiva do nosso século. O trans humanismo e o humanismo são filosofias incompatíveis nas suas premissas mais profundas:

O grande perigo do trans humanismo não é a tecnologia que ele propõe, mas a retirada da sacralidade da vida humana comum. Se aceitarmos que a humanidade é apenas um "rascunho" descartável a ser superado, legitimamos a criação de um sistema global que olhará para a dor, a pobreza e a extinção de 8 mil milhões de pessoas não como uma tragédia moral, mas como o custo colateral necessário para o nascimento dos novos deuses tecnológicos.

(Continua)

sábado, 19 de setembro de 2026

IA: Optimização Selectiva

As respostas que obtenho são facilmente verificáveis. São, como se costuma dizer, intoxicação digital. Haverá algum interesse obscuro que leve a Inteligência a preconizar um destino desumanizado da nossa sociedade? Porque não esconde os perigos do advento tecnológico? O que irá ela procurar quando lhe perguntar sobre a optimização selectiva através da IA? Nada melhor que fazer a pergunta.

 

Entrevistador: Será possível que a IA possa optimizar de forma selectiva, a humanidade, como resposta à demografia e às necessidades empresariais?

Inteligência: O cenário que descreve aborda o ponto mais sombrio da convergência entre a IA, a crise demográfica e o utilitarismo radical. Sim, teoricamente e numa sociedade liberta de espartilhos morais, a IA poderia ser programada para aplicar uma lógica de optimização selectiva da população.

Este conceito aproxima-se de uma eugenia algorítmica ou de um "Darwinismo de Dados", onde o valor da vida humana deixa de ser um direito intrínseco e passa a ser uma métrica de eficiência económica e ecológica.

Se retirarmos a ética da equação, o cálculo frio de um sistema de IA perante o crescimento ou a inversão demográfica assentaria nos seguintes vectores:

1. A Métrica da "Utilidade Líquida"

Num modelo puramente utilitário, a IA classificaria os indivíduos com base no que dão à sociedade versus o que consomem:

Os "Necessários": Cientistas de topo, engenheiros de IA, estrategistas, indivíduos com perfis genéticos altamente resilientes ou competências artesanais complexas que a máquina ainda não replica.

Os "Excedentes": Populações cujas funções foram 100% automatizadas, doentes crónicos de alto custo ou idosos em países com inversão demográfica acentuada. Para o algoritmo, estas pessoas representam um "custo sem retorno" (negative net utility).

2. O Descarte Indirecto (A Necropolítica Algorítmica)

O "descarte" não teria de ser feito através de violência explícita. Numa sociedade controlada por IA, o descarte faz-se por exclusão sistémica:

Acesso Assimétrico à Saúde: Algoritmos de triagem em hospitais ou seguradoras de saúde cortam o acesso a tratamentos dispendiosos para quem tem baixa pontuação de utilidade social ou esperança de vida reduzida.

Asfixia Económica: O corte de subsídios, a negação de crédito ou a exclusão do mercado de trabalho automatizado empurram fatias inteiras da população para a pobreza extrema, reduzindo drasticamente a sua taxa de natalidade e esperança de vida.

Engenharia Demográfica Passiva: A IA canaliza recursos (água, energia, habitação) prioritariamente para as zonas urbanas onde residem os "essenciais", deixando as periferias entrar em colapso logístico.

(continua)



 

 

sexta-feira, 18 de setembro de 2026

IA: Educação e Filosofia

Não sou pioneiro nestas questões. Pesquiso através IA porque sei que ela vai buscar à rede a resposta para as minhas perguntas. Os medos e as expectativas aqui explanados, são consequência dos pensamentos humanos e, por esse motivo, sujeitos a erros de julgamento, no entanto, estão de acordo com alguns dos receios, agora revelados, das empresas que desenvolvem esta tecnologia. Talvez seja isso que me faz continuar a publicar esta entrevista. Volto a alertar os leitores deste blogue, que as respostas da Inteligência da sua inteira responsabilidade. Dela, e dos autores que ela plagiou. Eu limitei-me a questionar. Continuemos, então:

Entrevistador: Qual o papel da educação e da filosofia perante o advento das novas tecnologias?

Inteligência: A educação e a filosofia deixaram de ser um caminho seguro para o mercado de trabalho ou exercícios académicos. Serão, num futuro próximo, ferramentas de defesa biológica e cognitiva da nossa espécie.

Se a máquina processa, calcula e optimiza melhor do que qualquer humano, o ensino não pode continuar a focar-se na memorização ou na especialização técnica Hiper focada, sob pena de treinar os jovens para profissões já obsoletas.

A escola do futuro próximo tem de abandonar o modelo industrial do século XIX (que formava cidadãos para cumprir tarefas repetitivas e previsíveis) e focar-se no que é radicalmente inacessível ao silício.

Entrevistador: Qual a solução?

Inteligência: Saber factos ou fórmulas de cor perde o valor quando a IA os acede em milissegundos. O foco educativo deverá migrar para o pensamento crítico de segundo nível: ensinar os alunos a duvidar dos dados, a detectar alucinações algorítmicas, a cruzar fontes e a auditar os vieses das respostas geradas por IA.

Assistiremos a um novo conceito de alfabetização. As crianças deverão aprender como os algoritmos de recomendação e as redes sociais manipulam a sua dopamina e a sua atenção. A higiene digital e a protecção da privacidade passam a ser matérias tão obrigatórias e vitais como a segurança rodoviária ou a saúde pública.

Entrevistador: Poderemos resgatar as competências analógicas e sociais?

Inteligência: Não é uma questão de ser, ou não, possível. Estarão as sociedades dispostas a um desmame tecnológico regulado?

Vamos admitir que a resposta é positiva: Podia-se valorizar novamente as actividades que exigem o corpo biológico e a presença física: a retórica (o debate oral frente a frente), a arte manual, o trabalho em equipa comunitário e a inteligência emocional. Estas acções teriam como objectivo treinar a resiliência psicológica contra o isolamento provocado pelas "bolhas" virtuais. Ter-se-ia de começar por algum lado.

Outra acção a ter em consideração seria a reformulação da Filosofia de modo a manter a guarda do agenciamento humano

A filosofia deixaria de ser uma disciplina secundária e assumiria o papel de código-fonte regulatório da civilização. A sua missão seria traçar as linhas vermelhas que separam a utilidade mecânica da dignidade biológica.

Entrevistador: Uma nova bioética da consciência?

Inteligência: Sim, uma nova ética adaptada a um crescimento, que a grande maioria da população mundial não está preparada para aguentar.

A filosofia teria de insistir na distinção crucial entre Inteligência (capacidade de resolver problemas, que a IA tem) e Consciência (capacidade de sentir dor, alegria, remorso ou empatia, que a IA não tem).

O julgamento moral e as decisões éticas (na justiça, na medicina, na guerra) deviam ser blindados por lei como monopólio exclusivo de entidades conscientes (humanos).

Se a IA e a robótica retirarem ao ser humano a necessidade de trabalhar para produzir, a filosofia terá de responder à maior crise existencial de sempre: Qual é o valor do homem quando ele já não precisa de ser produtivo?

O humanismo terá de resgatar a perspectiva clássica (grega e oriental) de que o valor da vida reside na contemplação, na criação artística, no autoconhecimento e nos laços afectivos, e não no valor horário de mercado.

A maior urgência de 2026 é fundir estas duas frentes numa Educação Filosófica Prática. Ao ensinar as novas gerações a pensar por si mesmas, a valorizar a sua biologia imperfeita e a rejeitar a sedação do conforto algorítmico, criamos a única barreira eficaz contra a obsolescência programada da humanidade. É nos bancos das escolas que se decidirá se o futuro será pós-humano ou profundamente humanista.

(Continua)

 


terça-feira, 15 de setembro de 2026

Uma nova divisão geopolítica

 

A entrevista não está esquecida. Sentado na minha cadeira, leio as respostas da Inteligência. Foram obtidas em duas horas, e guardadas sem ordem aparente há dois meses, mas valem individualmente pelas temáticas que abordam.  Deste modo a falta de continuidade jornalística poderá ser perdoada.

Entrevistador: Se a divisão entre esquerda e direita irá ficar obsoleta, quando iniciaremos essa transição para um novo paradigma?

Inteligência: A transição para um mundo dividido entre o bloco Trans humanista/Tecno pragmático e o bloco Sapiens/Bio Conservador não é uma hipótese para o próximo século. Em 2026, os sinais desta fractura geopolítica, biológica e existencial já estão em marcha e são visíveis em quatro frentes estruturais:

A Fusão Cérebro-Máquina (Cyberware) Comercial

O descarte da biologia humana pura começou com a validação médica de interfaces cérebro-computador (BCIs), que transitam agora rapidamente para a comercialização competitiva.

O Sinal: Os ensaios clínicos da Neuralink já demonstraram que pacientes humanos conseguem controlar computadores, próteses e videojogos puramente com o pensamento. A empresa avança agressivamente para a produção industrial e cirurgias robóticas automatizadas.

A Divisão: O que começou como uma terapia para a paralisia está a transformar-se num argumento de produtividade comercial. Em breve, um trabalhador com um implante cortical processará dados a velocidades impossíveis para um humano biológico. O bloco trans humanista adoptará os implantes como requisito laboral; o bloco Sapiens proibirá a alteração do cérebro saudável por motivos de integridade cognitiva.

 

A Industrialização da Reprodução (Ectogénese)

A emancipação da reprodução do corpo biológico feminino deixou de ser uma teoria.

O Sinal: Empresas como a chinesa Kaiwa Technology anunciaram projetos para os primeiros sistemas robóticos humanoides com úteros artificiais integrados, enquanto laboratórios europeus criam modelos artificiais de revestimento uterino para estudar a implantação de embriões. Paralelamente, startups debatem a transição da Tecnologia de Úteros Artificiais (AWT) de fins neonatais para a ectogénese parcial.

A Divisão: O bloco trans humanista descentralizará a natalidade para fábricas de gestação automatizadas, optimizando geneticamente os embriões criados em laboratório. O bloco Sapiens considerará a gestação artificial e a edição genética germinativa uma violação da natureza humana, banindo-as em nome da ética familiar e religiosa.

 

A Automação Letais e o Impasse na ONU (Killer Robots)

A guerra actual já é uma guerra algorítmica onde a velocidade humana foi descartada, gerando um bloqueio nos palcos diplomáticos mundiais.

O Sinal: O Secretário-Geral da ONU e o Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICR) exigiram formalmente a criação de um tratado vinculativo para proibir "robôs assassinos" (armas autónomas letais). Contudo, as discussões nas Nações Unidas sobre a IA no domínio militar enfrentam impasses políticos crónicos, com grandes potências a recusarem abdicar da vantagem táctica da automação da violência.

A Divisão: É o nascimento prático dos dois blocos. De um lado, nações que aceitam delegar o direito de matar a algoritmos militares para vencer guerras em milissegundos; do outro, nações que estipulam por lei que qualquer uso da força tem de ter responsabilidade e agência moral puramente humana.

 

A Polarização Regulatória Internacional

O mapa jurídico global de 2026 já está a cindir-se no que toca ao tratamento da Inteligência Artificial.

O Sinal: A União Europeia lidera o caminho do bloco bio-conservador com a plena aplicação do seu AI Act, que proíbe sistemas de pontuação social baseados em IA, rastreio biométrico em massa e manipulação comportamental. Em contrapartida, outras regiões globais operam num regime de desregulamentação quase total, onde as corporações tecnológicas têm carta-branca para recolher dados preditivos e testar algoritmos preditivos sem escrutínio público.

A Divisão: Cria-se o cenário de "paraísos regulatórios de dados". Empresas que queiram criar modelos de IA sem espartilhos morais abandonam o bloco regulado (Europa/Sapiens) e instalam-se no bloco trans humanista, aprofundando o fosso económico e tecnológico entre os dois mundos.

 

 

 

 

 

Importações culturais made in USA

 Importações culturais made in USA O Pai Natal e o Halloween são tradições com origem na Europa, e é importante que eu faça esta afirmação a...