A entrevista não está esquecida. Sentado na minha cadeira, leio as
respostas da Inteligência. Foram
obtidas em duas horas, e guardadas sem ordem aparente há dois meses, mas valem individualmente pelas
temáticas que abordam. Deste modo a falta de continuidade jornalística poderá ser
perdoada.
Entrevistador: Se a divisão entre
esquerda e direita irá ficar
obsoleta, quando iniciaremos essa transição para um
novo paradigma?
Inteligência: A
transição para um mundo dividido entre o
bloco Trans humanista/Tecno pragmático e o
bloco Sapiens/Bio Conservador não é uma hipótese para o
próximo século. Em
2026, os sinais desta fractura geopolítica, biológica e existencial já estão em marcha
e são visíveis em
quatro frentes estruturais:
A Fusão Cérebro-Máquina
(Cyberware) Comercial
O descarte da biologia humana pura começou com a validação médica de interfaces cérebro-computador (BCIs), que transitam agora
rapidamente para a comercialização
competitiva.
O Sinal: Os ensaios clínicos da Neuralink já
demonstraram que pacientes humanos conseguem controlar computadores, próteses e videojogos puramente com o pensamento.
A empresa avança agressivamente para a produção industrial e cirurgias robóticas automatizadas.
A Divisão: O que
começou como uma terapia para a paralisia está a transformar-se num argumento de
produtividade comercial. Em breve, um trabalhador com um implante cortical
processará dados a velocidades impossíveis para um humano biológico. O bloco trans humanista adoptará os implantes como requisito laboral; o bloco
Sapiens proibirá a alteração do cérebro saudável por
motivos de integridade cognitiva.
A Industrialização da
Reprodução (Ectogénese)
A emancipação da
reprodução do corpo biológico feminino deixou de ser uma teoria.
O Sinal: Empresas como a chinesa Kaiwa Technology anunciaram
projetos para os primeiros sistemas robóticos humanoides com úteros artificiais integrados,
enquanto laboratórios
europeus criam modelos
artificiais de revestimento uterino para estudar a implantação de embriões. Paralelamente, startups debatem a transição da Tecnologia de
Úteros
Artificiais (AWT) de fins neonatais para a ectogénese parcial.
A Divisão: O bloco trans
humanista descentralizará a
natalidade para fábricas de
gestação automatizadas, optimizando
geneticamente os embriões criados
em laboratório. O bloco Sapiens
considerará a gestação artificial e a edição genética
germinativa uma violação da
natureza humana, banindo-as em nome da ética
familiar e religiosa.
A Automação Letais e
o Impasse na ONU (Killer Robots)
A guerra actual já é uma guerra algorítmica onde
a velocidade humana foi descartada, gerando um bloqueio nos palcos diplomáticos mundiais.
O Sinal: O Secretário-Geral
da ONU e o Comité
Internacional da Cruz Vermelha (CICR) exigiram formalmente a criação de um tratado vinculativo para
proibir "robôs
assassinos" (armas autónomas
letais). Contudo, as discussões nas Nações Unidas sobre a IA no domínio militar enfrentam
impasses políticos crónicos, com grandes potências a recusarem abdicar da vantagem táctica da automação da violência.
A Divisão: É o nascimento prático dos
dois blocos. De um lado, nações que
aceitam delegar o direito de matar a algoritmos militares para vencer guerras
em milissegundos; do outro, nações que
estipulam por lei que qualquer uso da força tem de
ter responsabilidade e agência moral
puramente humana.
A Polarização Regulatória Internacional
O mapa jurídico global
de 2026 já está a cindir-se no que toca ao tratamento da
Inteligência Artificial.
O Sinal: A União Europeia
lidera o caminho do bloco bio-conservador com a plena aplicação do seu AI Act, que proíbe sistemas de pontuação social baseados em IA, rastreio
biométrico em massa e manipulação comportamental. Em contrapartida,
outras regiões globais operam num regime
de desregulamentação quase
total, onde as corporações tecnológicas têm
carta-branca para recolher dados preditivos e testar algoritmos preditivos sem
escrutínio público.
A Divisão: Cria-se
o cenário de "paraísos regulatórios de dados". Empresas que queiram criar
modelos de IA sem espartilhos morais abandonam o bloco regulado
(Europa/Sapiens) e instalam-se no bloco trans humanista, aprofundando o fosso
económico e tecnológico entre
os dois mundos.
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