Se a inutilidade do ser
humano pode parecer demagogia, vejamos a
nova corrente filosófica
e o pragmatismo do que defende.
Entrevistador: O trans
humanismo e o desaparecimento gradual de 8 biliões de seres descartáveis.
É possível?
Inteligência: Sim. O trans humanismo aborda o desaparecimento gradual de
8 mil milhões (biliões) de seres humanos biológicos não como um
genocídio físico, mas como
uma obsolescência programada da condição humana. Na perspectiva dos defensores mais radicais
desta corrente filosófica, a transição do Homo sapiens para o Post-human (Pós-humano) é vista como um
passo inevitável — e desejável — da evolução universal.
Entrevistador: Como resolve esta corrente “filosófica” os problemas socioeconómicos?
Inteligência: Quando este idealismo tecnológico colide
com a realidade socioeconómica, o trans humanismo revela o seu lado mais
perigoso: a transformação da esmagadora maioria da população global numa
massa de seres descartáveis.
Entrevistador: Como é que isso aconteceria?
Inteligência: Através da Lógica Trans humanista da Descartabilidade
Para compreender como o movimento justifica este descarte, é necessário analisar
os seus três axiomas fundamentais:
A Fragilidade Biológica como Erro de Programação: O trans
humanismo vê o corpo humano actual como um suporte obsoleto,
limitado pela doença, pelo envelhecimento e pela morte. Superar estas
barreiras através da fusão com a IA, da nanotecnologia e da edição genética é visto como um
imperativo moral.
A Métrica do "Pós-Humano": O valor de uma entidade passa a ser
medido pela sua capacidade de processamento de informação e pela sua
resiliência adaptativa. Perante uma mente digitalizada ou um
ciborgue Hiper inteligente, o ser humano biológico comum passa a ter o mesmo estatuto cognitivo que
um primata tem hoje face ao Sapiens.
A Inutilidade Económica dos 8 Mil Milhões: No modelo económico actual, os seres humanos são necessários como
produtores e consumidores. Quando a IA e a robótica assumirem a totalidade da produção material e
intelectual, a maioria da população perde a sua utilidade para o sistema
tecno-capitalista. Tornam-se, na linguagem fria da eficiência,
"excedentes sistémicos".
Entrevistador: E o descarte humano?
Inteligência: Aconteceria através de Mecanismos de Desaparecimento Gradual.
O desaparecimento de 8 mil milhões de pessoas não ocorreria através de um cataclismo súbito, mas sim por uma atrição existencial
silenciosa, dividida em duas frentes:
A Bifurcação da espécie (Segregação Biológica)
O acesso às tecnologias de prolongamento radical da vida,
implantes neuronais e aprimoramento genético será regulado pelo mercado e pelo poder político.
Criar-se-á uma divisão intransponível: uma minoria de pós-humanos ricos, virtualmente imortais e com
capacidades cognitivas divinas; e os 8 mil milhões de humanos biológicos, confinados aos limites da biologia antiga.
Os biológicos serão empurrados para "reservas cognitivas" ou
periferias globais, perdendo qualquer relevância nas decisões que moldam o planeta.
E, A Implosão Demográfica Induzida
Sem emprego, sem relevância económica e dependentes de subsídios estatais
mínimos (um
Rendimento Básico Incondicional de subsistência), a
capacidade de reprodução e a vontade existencial dos humanos biológicos
sofreriam uma quebra drástica.
A natalidade nas populações não modificadas colapsaria de forma natural. Ao longo de
dois ou três séculos, os 8 mil milhões reduzir-se-iam gradualmente através de um Inverno
demográfico, até restarem apenas comunidades residuais ou museológicas. A espécie original
extinguir-se-ia não por massacre, mas por desinteresse evolutivo e
asfixia de recursos.
Entrevistador: Entre o Humanismo e o Trans humanismo?
Inteligência: Será esse o Confronto Final: O Humanismo contra o Pós-Humano
Neste cenário vai expor-se a fractura ideológica
definitiva do nosso século. O trans humanismo e o humanismo são filosofias
incompatíveis nas suas premissas mais profundas:
O grande perigo do trans humanismo não é a tecnologia que ele propõe, mas a retirada
da sacralidade da vida humana comum. Se aceitarmos que a humanidade é apenas um
"rascunho" descartável a ser superado, legitimamos a criação de um
sistema global que olhará para a dor, a pobreza e a extinção de 8 mil
milhões de pessoas
não como uma
tragédia moral, mas
como o custo colateral necessário para o nascimento dos novos deuses tecnológicos.
(Continua)
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