Agnóstico? Porque não?
É uma definição confortável que,
ministrada em pequenas doses, evita dores metafísicas. Assumir a impossibilidade
de encontrar, com o conhecimento actual, provas, empiricamente sustentáveis e lógicas,
sobre a existência de Deus, do divino, ou do sobrenatural, permite que eu me
furte a um juízo comprometedor. Do alto da minha inacção, declaro que não ficou
provado, sem margem para qualquer dúvida, a existência dos anteriormente
nomeados. A minha declaração pública não me compromete, e permite-me, usando o
tão celebrado Livre Arbítrio, proclamar a minha fé em nome do conforto e do
equilíbrio emocional. E nem preciso declarar fidelidade a nenhuma religião em
particular, pois, a minha decisão não é suportada pela razão, mas pela fé
inabalável em algo que eu escolhi acreditar. Possivelmente sou um Teísta Agnóstico,
cuja natureza é infiel.
O mesmo se passa na política
internacional. Sabemos da sua existência, mas somos agnósticos quanto às suas
intenções. Teístas, por necessidades materiais, e imateriais, decidimos
acreditar. Assim funcionam os blocos oposicionistas. Cada um tem o seu Deus, a
sua verdade dogmática, os seus cultos, e as suas orações. Hoje um míssil,
amanhã uns litros de gasóleo, tudo temperado a gosto com discursos saídos de
uma qualquer trilogia literária. Para quê perder tempo com ninharias?
Politicamente, identifico-me com o Ateísmo
Agnóstico. Nada existe para além da nossa imaginação perversa, e distorcida.
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