quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Agnóstico? Porque não?

Agnóstico? Porque não?

É uma definição confortável que, ministrada em pequenas doses, evita dores metafísicas. Assumir a impossibilidade de encontrar, com o conhecimento actual, provas, empiricamente sustentáveis e lógicas, sobre a existência de Deus, do divino, ou do sobrenatural, permite que eu me furte a um juízo comprometedor. Do alto da minha inacção, declaro que não ficou provado, sem margem para qualquer dúvida, a existência dos anteriormente nomeados. A minha declaração pública não me compromete, e permite-me, usando o tão celebrado Livre Arbítrio, proclamar a minha fé em nome do conforto e do equilíbrio emocional. E nem preciso declarar fidelidade a nenhuma religião em particular, pois, a minha decisão não é suportada pela razão, mas pela fé inabalável em algo que eu escolhi acreditar. Possivelmente sou um Teísta Agnóstico, cuja natureza é infiel.

O mesmo se passa na política internacional. Sabemos da sua existência, mas somos agnósticos quanto às suas intenções. Teístas, por necessidades materiais, e imateriais, decidimos acreditar. Assim funcionam os blocos oposicionistas. Cada um tem o seu Deus, a sua verdade dogmática, os seus cultos, e as suas orações. Hoje um míssil, amanhã uns litros de gasóleo, tudo temperado a gosto com discursos saídos de uma qualquer trilogia literária. Para quê perder tempo com ninharias?

Politicamente, identifico-me com o Ateísmo Agnóstico. Nada existe para além da nossa imaginação perversa, e distorcida.

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