Tudo o que tenho
Tudo o que tenho
Tudo o que tenho é o som diluído de um sonho a cair
num corpo deitado que fica acordado e teima em resistir
por debaixo da manta que finge aquecer
o frio tão frio faz-me esquecer
O segredo que eu guardo no corpo cansado ficou por dizer
ao ouvido mouco que teima em ser surdo ao que fiz sem querer
Sentado na cama evito cair
no chão que é frio de onde não sei sair
Deitado na cama vejo no relógio o tempo a passar
as horas dolentes fingem-se morosas, sem nada para dar.
E eu tão carente, doente, indecente
espero o Sol sempre a nascente
Tudo o que tenho, tudo o que dou, tudo o que espero, e o que
sou;
Tudo o que importa, e faz viver, vem do que penso,
e faz sofrer.
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