Sempre à espera de algo

 

Como num jornal de papel amarelado

As palavras de 2024 desvanecem o palavreado retórico das promessas para 2025.

Não as tivesse eu lido no ecrã

e teriam o sabor de tinta impressa.

Todos os anos a mesma Esperança,

o mesmo copo de vinho vertido da garrafa primordial de onde se vertem todos os álcoois.

Hoje, o cigarro já apagado há mais de 1 ano espera por mais uma passa,

2 passas, 3 passas, 4 passas... 12 passas,

e eu passo,

como sempre passei,

passo atrás de passo,

umas vezes o esquerdo,

outras o direito.

Todos os anos uma promessa,

a mesma promessa reconvertida e atualizada, 2.0, 3.0, 4.0, 5.0, 6.0, 7.0...

2025 a pensar como 2024 poderia ter sido 2026,

sempre o ano errado.

Todos os anos nos reinventamos

e deitamos fora a derme velha com vergonha de a reutilizar.

O ano que vem será mais 1 ano,

e o que passou será ano do passado.

O passado e o futuro assim tão perto,

entalando o presente,

que embora renitente,

é o único momento em que realmente celebramos.

No fim de contas,

quem cala consente,

e repetimos princípios no meio de palavras bonitas,

Inventando gestos numa ilusão de modernidade.

Feliz Ano-Novo,

ano que ainda não nasceu, mas já fez as suas vítimas.

Feliz 2025, 26, 27, 28, 29, 30, 31 e 2, e 3, e 4, e…

Feliz o momento em que te encontras,

feliz o momento em que o pensas,

feliz o momento em que o partilhas,

feliz o ano todos os dias…

Comentários

Mensagens populares