Portugal - Croácia
É sempre a mesma conversa. Passam os anos e esta situação repete-se de cada vez que vejo a seleção jogar. O meu amor à bandeira e ao hino resume-se, nestes dias, a noventa minutos de sofrimento. Uma bola que rola pelo relvado, chutada por pés milionários. Mas isso não me interessa, são os “nossos” pés, o que de melhor produzimos para dar pontapés. É desporto e arte, paixão e rancor, e tudo isto por amor.
Ontem, tentei esquecer o assunto. Afinal, sou, ou não sou, imune
a paixões coletivas, à febre da pertença, ao menor denominador comum que agrega
por baixo o que é diferente por dentro. Deitado na cama, sucumbi à febre que
une desigualdades numa narrativa comum.
Torci, esperneei, fechei olhos para não ver e contei os segundos
finais maldizendo o cronômetro do árbitro. Adeus, Croácia, temos pena, mas
assim é a vida. Venha a Espanha, que a alma lusa faz-nos sonhar impossíveis enquanto
choramos, num fado, um poema de descrença. Venham esses Adamastores, que as
nossas caravelas cá estarão para os dobrar.
A Espanha está a jogar um futebol bonito, cativante e eficiente.
Após o primeiro jogo corrigiram os aspetos que levaram a esse, tão celebrado,
empate. Juntamente com a França, é dos candidatos ,o que joga melhor futebol. Portugal
é intermitente, um pouco inseguro, e por diversas vezes os jogadores aparentam
uma desorientação pouco compatível com a sua qualidade. Mas isto é futebol, e
tudo pode acontecer. Que a segunda-feira traga o pior de Espanha e o melhor de
Portugal. Quero lá saber se o espetáculo vai ser bom, o que eu quero é vencer. Se
assim não fosse, tinha comprado um bilhete para o teatro.
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