O Homem Sentado Na Sanita
O Homem Sentado Na Sanita
Debruçado sobre si mesmo, o homem extirpa pedaços residuais
do fundo biológico.
Tem consciência da vulnerabilidade intrínseca do gesto que o
faz dobrar e, manobra a zona abdominal com inspirações profundas.
Procura um trilho que lhe devolva a verticalidade e, o
alívio projetado num esgoto comum.
Sonha com o declínio da existência e não faz exigências. O fim
é sempre certo e a sua aproximação inevitável.
Lá fora, a cidade respira normalmente. Ninguém se importa com
a submissão sem condições. Ao seu lado, uma mão agarra na sua. É uma mão de
outra estirpe, daquelas que não desistem e, insistem sem necessidade de argumentos.
Hoje não venci o combate. O Trono onde me sentei deixou-me
dobrado, prostrado perante o monstro por cima do meu ombro.
Ele não precisa falar. O seu presente é o meu futuro. Sinto
o hálito de todos os compostos químicos, que reagem no meu cólon. Todas as
formulações que se pretendem importantes.
Saí como entrei; cansado da minha existência.
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