Acabei! Um ano depois, acabei. O que começou como um exercício de memória ganhou vida própria, e foi necessário terminar a sua existência. Nunca pensei que o pudesse terminar. Quando cheguei ao sétimo ato, já só me restava a voz, que ditava pedaços de oralidade. O oitavo ato foi a Susana que o escreveu. Quinze mil palavras que não encontrariam eco em nenhum lugar. Percorri esse deserto com a convicção de que não haveria um oásis capaz de matar a minha sede. Teriam sido aquelas as últimas palavras a espelhar a minha criatividade? Tudo indicava que era esse o destino que me estava reservado. Mas, mais uma vez, eu consegui adiar o inevitável. Não foi sozinho que ganhei essa batalha; sem a Deolinda e a Mariana, nada disto faria sentido. Mas muitos mais nomes existem, representando as inúmeras mãos que têm segurado nas minhas. Também elas escrevem estes textos. Não me vou repetir e falar novamente nos meus olhos, e no milagre tecnológico que me permitiu terminar “A Vida e a Morte do Sr. Jorge”. Dez mil palavras que prolongaram esta história até ao décimo nono e último ato. Publiquei-os, um a um, sem revisão. Podem ter perdido coerência, ser pobres no estilo e padecerem de males ortográficos e gramaticais, além de uma pontuação errática, mas são honestos. Vou sentir falta do Jorge.
segunda-feira, 22 de junho de 2026
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