2026/06/29

 Os meses passam sem que eu possa fazer algo para os impedir. O verão vai tirar mais um pedaço de mim. Penso nas pessoas que morreram nos terremotos na Venezuela. Dois abalos acima de 7 na escala de Ritchter foram suficientes para soterrar milhares de seres humanos. Tantos inocentes que não mereciam este fim. Fica sempre a mesma pergunta; onde é que Ele está nestas ocasiões? Bom, Ele está em todo o lado, mas a sua natureza não lhe permite interferir. É Dele o Reino do Céu e será no seu Reino que a triagem será feita. A aceitação e o amor ao próximo, como prova de amor pelo Criador, farão toda a diferença. Se o perdão é garantido, já a entrada no Seu Reino é uma questão que necessita de outros atributos. Se o Reino é dele, quem sou eu para questionar a sua autoridade. Fico-me pela minha montanha, a minha escalada que partilho com a Deolinda e com a Mariana. Quando fizer os últimos metros ficarei por lá. Sem permissão, nem pedido de desculpa, irei largar a bola e as correntes. O martelo retornará à origem, para ser manuseado por outro mártir. Será dele a pedra por partir. Se encontrar a eternidade duvido que a reconheça. Finalmente em comunhão com o universo, a minha existência fará parte da substância absolutamente infinita Sem necessidade de explicações.

Quando o verão acabar estarei mais sábio e menos dependente do meu corpo. As lágrimas que vi nos olhos da minha filha lembram-me o seu amor. Essa é a dor que eu tenho de aprender.

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