Um Verão No Passado
Deambulo pelo pinhal num dia ameno de verão. Levo vestido o que levo, e isso não é importante. Estou aqui e, ao mesmo tempo, tão distante. Por debaixo da rama dos pinheiros, o sol, que não é forte, revela-se um amigo discreto. Este ano, não te vou queimar, não vou aquecer o ar ao ponto de o tornar irrespirável, não te vou martirizar com suores desconfortáveis, fazer-te implorar por sombras onde a aragem não penetra. Obrigado, verão, não sei como te poderei agradecer. Talvez este meu ar descontraído e satisfeito te possa recompensar, fazer-te sentir que o teu trabalho não foi em vão. Serei dos poucos plenamente satisfeitos com a tua brandura. Poucos, mas bons, direi eu. E o que eu disser, embora não seja lei, ficará escrito no ar para toda a eternidade.
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