Num diálogo com a IA

 

Acordei com sentido de humor e olhei para a guerra com amor. À minha vista o cenário habitual, a morte ceifava no seu ofício banal. A manhã é sempre melhor quando à nossa volta sentimos que a dor é maior. Isto diz o homem que não tem esperança. Por detrás do ser biológico a alma prefere outra dança. Eu sinto tristeza pela vida desperdiçada, pelo sangue perdido em orgias e desgraça, pelo ódio perverso e pelo grande mistério do universo. Todos os dias me vendem verdades inquestionáveis, mas o que eu ouço são mentiras prováveis.

E, no entanto, continuo, como quem atravessa um corredor de hospital sem saber se procura um quarto, um nome, ou a simples confirmação de que ainda respira. Há nas coisas um cansaço antigo, uma ferrugem mansa a comer os dias, e cada gesto, por mais pequeno, arrasta atrás de si o peso de uma infância desarrumada, retratos tortos na parede, vozes que regressam da cozinha onde a miséria fervia devagar com a sopa. Olho o mundo e o mundo devolve-me o seu rosto de animal ferido, os dentes gastos, a baba da crueldade, a paciência infinita das ruínas. Não é apenas a guerra, entende, não é apenas o estampido, o corpo tombado, a sirene, o clarão sujo da madrugada: é esta maneira de perdermos tudo antes de o termos possuído, esta inclinação para a cinza, este hábito de chamar destino ao que foi abandono. E eu, sentado entre os destroços do que julguei amar, escuto o ranger dos móveis, a respiração das paredes, o rumor de um Deus que talvez exista apenas no intervalo do silêncio, e lamento, não com palavras, que as palavras também adoecem, mas com esta fadiga funda de quem percebe tarde demais que a ternura era a última trincheira e também ela foi saqueada.

 Nota: O primeiro texto é meu. O segundo é uma resposta da IA à minha provocação.

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