2024/11/22

 Por altura do 25, o conflito reabre-se. Este ano, pela primeira vez, a comemoração do dia 25 de novembro tem lugar na Assembleia da República. A data, por motivos que não podiam deixar de ser políticos, tornou-se campo de batalha entre a direita e a esquerda, fazendo tábua rasa dos acontecimentos históricos. Pelo meio, o 11 de março é esquecido, quem sabe por não ter acontecido no dia 25 desse mês. A minha memória é fraca para ir buscar ao meu passado factos que ocorreram quando eu tinha 10 anos. Do que me lembro, recordei 3 nomes: Jaime Neves, que saiu com os comandos da Amadora, bem perto de minha casa, vá-se lá saber para onde; Ramalho Eanes, o herói em cima do Renault 16, de camisa aberta e peito feito às balas; e, por fim, o eterno Mário Soares, o político que chefiava o partido vencedor das primeiras eleições legislativas no 25/04/1975. Falta-me aqui um nome: Vasco Gonçalves, o homem que simbolizou o PREC. Para quê discutir hoje o valor de um dia que deriva diretamente do 25 primordial? Primeiro o pai, depois o filho, assim manda a cronologia, de modo que não seja necessária uma máquina do tempo para entender a história. Se o primeiro 25 é consensual, já o segundo está afetado de sangue cruzado. Se, no primeiro, os interesses militares faziam da corporação um conjunto unitário, no segundo, as vontades não nos levam a conclusões óbvias. Do que li, cheguei à conclusão de que haverá sempre lugar para múltiplas interpretações, conforme os gostos e as vontades, mas uma certeza eu tenho: a divisão nunca será entre a esquerda e a direita. Na nova narrativa, falta sempre um dos protagonistas: o PS e Mário Soares. Historicamente, nunca ficou clara a intenção que levou os paraquedistas a sair do quartel, mesmo que não dê jeito essa incerteza. É, certamente, um dos períodos mais ricos da nossa história recente.

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