2024/11/06
Trump ganhou as eleições, ratos roem o interior do meu carro, vou avançar para a publicação do meu livro, estou doente vai para 6 dias. De tanto para dizer restam pequenas frases. Poderia separá-las por stops e assim pareceria um telegrama. Quando se quer tudo, e tudo se pode reduzir a tão pouco. Poderia ter acrescentado que se continua a morrer no Líbano e na faixa de Gaza, mas quem é que se preocupa com isso se praticamente já esquecemos a guerra da Ucrânia, telenovela desgastada que repete o argumento sem se descobrir o fim. Ah, já me esquecia, aqui mesmo ao nosso lado um fenómeno meteorológico a que chamam o nome de gota fria, causou morte e devastação na região de Valença.
Estarei morto? Ainda não, pelo menos a julgar pelas palavras da
médica que avaliou a minha condição respiratória. Lá me vou safando com os 90 e
tal por cento de oxigénio que o meu diafragma consegue sugar para dentro dos
meus pulmões. Caminham para se tornar uns foles sem graça, mas por enquanto vão
cumprindo a sua função o que me coloca num limbo entre o vegetal pensador que
mal se mexe e a pedra filosófica com residência fixa. Estou destinado a ser
monitorizado, desta vez com serviço ao domicílio. Ficou programada uma visita
daqui a um mês. Nessa visita um rapaz, ou uma rapariga, farão a entrega de um
equipamento que dirá de sua justiça; se eu estou, ou não, a respirar em
condições, se o oxigénio entra o suficiente e se o dióxido de carbono sai o que
deveria sair. Por enquanto vou-me safando da máscara noturna que irá piorar
ainda mais as minhas insónias. Como se costuma dizer, “enquanto o pau vai e vem
folgam as costas “. Os meus braços pioram a olhos vistos, e para agravar a
situação deixei de ir à fisioterapia, pelo menos assim aconteceu nas 2 últimas
semanas. De quem é a culpa? A culpar alguém, talvez as circunstâncias. Por
exemplo, o meu carro que continua cheio de ratos e que neste momento se
encontra estacionado numa oficina em Beja. Mas como bom português não consigo
ver tudo negro e lá vejo o rosa na forma de um Peugeot 2006 emprestado pela
empresa. Ironia do destino o carro é preto.
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